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Presidentes e representantes dos 12 países da América do Sul assinaram em Brasília, na última sexta-feira, dia 23 de maio, o tratado de criação da União das Nações Sul-Americanas, a Unasul

Texto de Carolina Borba Muñoz  

A Unasul, tratado que reúne doze países da América do Sul, visa construir uma cidadania integrada, fortalecendo os laços entre os países. Como principais objetivos, a nova entidade buscará a coordenação política, econômica e social da região.

Com sua oficialização, a Unasul passa a ter personalidade política própria e, na prática, passará a ser um órgão internacional. Ou seja, não se limitará mais a um fórum de debates, mas incluirá a possibilidade de serem adotadas medidas conjuntas. Para que Unasul comece a funcionar como organismo internacional o texto ainda precisa ser ratificado pelos congressos de nove dos 12 países.

Os países que farão parte do grupo têm cerca de 360 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 800 bilhões. Mas este é um grupo desigual, que conta com 180 milhões de habitantes do Brasil e três milhões do Uruguai, por exemplo. O PIB brasileiro é de US$ 1,3 trilhão, o oitavo do mundo, e o da Bolívia de US$ 10 bilhões - um décimo do valor da Petrobras.

Com relação aos desafios da Unasul, num primeiro momento, os governos parecem ter expectativas diversas sobre os resultados reais da entidade. O ministro das Relações Exteriores do Chile, Alejandro Foxley, disse que seu país tem três principais interesses nessa integração: energia, infra-estrutura e uma política comum de inclusão social. Por sua vez, o chanceler boliviano, David Choquehuanca, afirmou que a Bolívia espera que a Unasul não se limite às questões comerciais e trate da "união dos povos". Mas talvez o principal desafio da Unasul será colocar em prática suas medidas, como a integração energética, já que hoje o desafio entre quatro países - Brasil, Argentina, Bolívia e Chile - ainda não foi resolvido.

Questões bilaterais - ou trilaterais - também estão na lista de desafios da região.

Disputas territoriais entre Chile e Peru, da época da Guerra do Pacífico, no século 19, estão hoje no Tribunal Internacional de Haia. A Bolívia reivindica do Chile uma saída para o mar, perdida na mesma guerra do Pacífico. Venezuela, Equador e Colômbia travam, desde março, uma disputa envolvendo as Farc (grupo guerrilheiro mais antigo do mundo, com mais de 40 anos) que ainda não teve conclusão.

Próximos passos:

No sistema de presidência temporária e rotativa, a próxima presidência caberia à Colômbia, que abriu mão do direito, que passará ao Chile. Nos termos do Tratado, a Unasul terá como órgãos deliberativos um Conselho de Chefes de Estado e de Governo, um Conselho de Ministros de Relações Exteriores e um Conselho de Delegados. Haverá reuniões anuais de chefes de Estado e de Governo e reuniões semestrais do Conselho de Ministros de Relações Exteriores.


Fonte: BBC Brasil.com


Publicada em 29/05/2008

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